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A festa do Boi Bumbá


A festa do Boi Bumbá
(Guibson Medeiros)

Seguindo o ritual
No seio de uma floresta
Surgiu a mais linda festa
Do cenário nacional
Começou o festival
Ao som da batucada
O ecoar da marujada
Faz a galera cantar
Bandeiras se agitam no ar
Os bumbas vão se aquecendo
Isso é mesmo que ta vendo
A festa do boi bumbá.

O povo ta dividido
Entre o vermelho e o azul
Seja do norte ou do sul
Tem que escolher o mais querido
Caprichoso ou Garantido
Quem vencerá essa guerra
No maior folclore da terra
Apenas um vencerá
E no ano que virá
Eu vou continuar torcendo
Isso é mesmo que ta vendo
A festa do boi bumbá

O sabor da caldeirada
O tacacá e o tucupi
O suco de açai
E o beijo da namorada
Uma ilha toda encantada
Cheia de amor e carinho
De um povo ribeirinho
Que leva a vida a pescar
A palafita é o seu lar
E feliz está vivendo
Isso é mesmo que ta vendo
A festa do boi bumbá

Pai Francisco e mãe Caterina
O mais belo par folclórico
O amor virou estórico
Mas começou na surdina
A paixão mais cristalina
Conta a estória como foi
E o nascimento do boi
É algo espetacular
Em junho vou festejar
Com o bumbódromo fervendo
Isso é mesmo que ta vendo
A festa do boi bumbá

Ao ouvir o som da toada
Mãos atiradas pra cima
O amo fazendo rima
Na batida ritimada
No clarão da alvorada
O garantido entra em cena
Pra delírio da arena
O azul vai se calar
Cunhãporanga vai desfilar
E o contrario se mordendo
Isso é mesmo que ta vendo
A festa do boi bumbá

O canto do uirapuru
A arte nobre do jair
As curas do seu waldir
E o gigante pirarucu
A coca-cola é azul
Neste mês maravilhoso
Um são joão tão caprichoso
No reino tupinambá
O boto vai encantar
A cabocla se convencendo
Isso é mesmo que ta vendo
A festa do boi bumbá

Quanto barco chegando
E ancorando na ilha
A oitava maravilha
Já esta se apresentando
Os tambores estão rufando
Os bumbas estão na arena
A mais bela morena
Trouxe a dança pra ensinar
Dois pra lá e dois pra cá
O povo de fora aprendendo
Isso é mesmo que ta vendo
A festa do boi bumbá

As correntezas do rio
Um tracajá um jacaré
Um jaraqui no igarapé
Uma capivara no cio
Uma canoa que partiu
Pra buscar o seu alimento
Caça e pesca é o seu sustento
O idioma é Andirá
O tambor já vai tocar
E a estória revivendo
Isso é mesmo que ta vendo
A festa do boi bumbá

Neste norte distante
Um ar úmido e quente
Nasceu essa gente
De ar ofegante
Um rio tão gigante
Que corre ligeiro
É sempre o primeiro
A chegar no mar
Quem não vem pra cá
Não sabe o que está perdendo
Isso é mesmo que ta vendo
A festa do boi bumbá

A sinhazinha da fazenda
A cobra grande o boi tatá
A ilha vai balançar
O povo faz oferenda
Tanta estória quanta lenda
Tanto sonho entre amores
O brilho de duas cores
Duas torcidas a delirar
Uma vai comemorar
A outra vai ficar sofrendo
Isso é mesmo que ta vendo
A festa do boi bumbá

A fumaça na churrasqueira
O cheirinho de peixe assado
Um tacacá reforçado
E uma pinga de primeira
Um bebo com uma bandeira
O palco já sendo armado
Os barcos tudo atracado
Fazendo a queima no ar
A festa vai começar
E o povo se espremendo
Isso é mesmo que ta vendo
A festa do boi bumbá

Tem maniçoba e farinha
Tucumã,cupuaçu
Tambaqui,pirarucu
No reino da sinhazinha
Tem boi brigando na rinha
E a pimenta do tucupi
Se é viana é seu waldir
Se tem pó é guaraná
Se tem cuia é tacacá
Pra forças ir renascendo
Isso é mesmo que ta vendo
A festa do boi bumbá

A tarde vem caindo
E a noite vai chegando
O povo se preparando
Que o boi já esta saindo
Nas batidas vão ouvindo
O chamando do tambor
Na floresta o clamor
Da tribo kashinawa
É hora de guerriar
E o curumim já sai correndo
Isso é mesmo que ta vendo
A festa do boi bumbá

Lá vem um barco gaiola
Com um monte de rede armada
Tocando o som da toada
E uma cuiatain que rebola
Um xarango na sacola
Esperando o grande dia
Gringo tirando fotografia
Encantado com o rio mar
Parintins vai se enfeitar
Que o sol já vem nascendo
Isso é mesmo que ta vendo
A festa do boi bumbá

Quando a luz se apagou
O boi voltou pro QueGê
O tripa se pode vê
E o barco já navegou
No peito de quem ficou
A saudade de quem partiu
E a maior festa do Brasil
Agora vai descansar
Mas no ano que virá
A ilha vai ta tremendo
Isso é mesmo que ta vendo
A festa do boi bumbá

Boi Bumbá


Cada apresentação é uma experiência inesquecível. Assiste-se, tudo ao mesmo tempo, uma suntuosa apresentação musical, uma procissão religiosa, um ritual tribal, um show de bonecos gigantescos, um conto de fadas com poderosos vilões e bravos heróis, uma apresentação folclórica, uma grandiosa festa para a platéia e uma energizante coreografia da “galera” – torcedores do “Boi”.

Apesar de ambos os “Bois” – como são chamadas as equipes – contarem a mesma história todas as noites, de forma que você a assiste 6 vezes o mesmo espetáculo, cada noite é diferente, pois as lendas, os rituais, as danças tribais, os bonecos, os trajes, as alegorias, tudo muda, tornando-se num espetáculo completamente novo.

Boi Garantido
Boi Caprichoso

Há muitos festivais no Brasil, mas o de Parintins é de longe o maior e mais espetacular. É ao mesmo tempo um show e uma disputa. Há duas equipes competindo – o “Boi” Caprichoso e o “Boi” Garantido. O “Boi” é o personagem principal da história que é apresentada todas as noites. O lugar para o festival é uma arena que acomoda 35.000 espectadores.

Cada “Boi” tem 3 horas para se apresentar e se você ainda quiser mais, a cidade o aguarda depois das apresentações com comidas, bebidas e baladas. A praça, os inúmeros bares e lugares próximos ao “Bumbódromo” sem hora para fechar, recebem o público ainda cheio de energia para mostrar suas habilidades na dança, nas coreografias e músicas do festival.

O festival folclórico de Parintins segue princípios fundamentais em que expressa a cultura espontânea, evolui exclusiva e livremente através de uma dinâmica própria . Exemplo disso é que não se consegue afirmar, com certeza absoluta, como foi, exatamente, que teria começado. Teria se iniciado quando Lindolfo Monteverde, criador do “Boi” Garantido, teria colocado em prática uma das histórias que ele ouvia de seu avô quando criança? Poderiam ter sido os Irmãos Cid, juntamente com José Furtado Belém, que teriam fundado o “Boi” Caprichoso?

Tanto o “Boi” Garantido quanto o “Boi” Caprichoso, teriam nascido graças às promessas feitas a São João Batista. Por motivos diferentes, mas tendo as promessas sido atendidas cumpririam o que prometiam e, ambos os “Bois”, a partir dali, se apresentariam todos os anos – isso era garantido – diria o Garantido; e no capricho – diria o Caprichoso.

O festival conta a história do Pai Francisco – funcionário da fazenda e sua esposa grávida, a Mãe Catirina, desejosa de comer língua de boi. Pai Francisco mata o melhor boi da fazenda para satisfazer o desejo da esposa. Pai Francisco seria levado à cadeia, mas a história tem um final feliz, com o “Boi” sobrevivendo graças aos rituais do pajé. Pai Francisco é perdoado e tudo acaba numa enorme festa celebrando a vida do “Boi”.

O festival de Parintins começou modestamente. Naqueles dias, eram simples procissões pelas ruas da cidade. Com o passar do tempo, o festival, a história e os personagens foram mudando para incorporar as lendas de índios locais, os rituais, as músicas e as danças. Celebra também o tradicional estilo de vida do caboclo – o homem da amazônia.

A disputa
O festival é também um desafio e o vencedor é escolhido por um júri, que avalia a performance de cada “Boi” em diversas categorias: apresentação do “Boi”, apresentação da tribo indígena, apresentação dos tuxauas – chefes indígenas -, apresentação do rituais xamanísticos, melhor música, melhores alegorias, melhor coreografia etc.

Um dos mais fascinantes aspectos do festival é a participação do público que lota o “Bumbódromo” – local onde se apresenta o festival. O apoio da “galera” é uma das categorias julgadas na disputa, então cada “Boi” tem pessoas especialmente designadas para comandar e orquestrar a “galera”.

O “Bumbódromo” fica dividido em duas metades, de forma que fãs do Garantido e fãs do Caprichoso ficam nos seus respectivos “territórios”. Durante a apresentação do seu “Boi” os fãs dançam, balançam lenços e candeias. A energia da “galera” vibra com a entrada de cada personagem no “Bumbódromo”.

Mas você não pode nunca, jamais, torcer para o outro “Boi” – se você fizer isso, estará contribuindo para a vitória do “Boi” contrário. A disputa é levada a sério aqui, as pessoas tem uma paixão louca pelo seu “Boi”. Todos em Parintins tem raízes voltadas para algum deles, Caprichoso ou Garantido, não há meio termo.

Interessante como a “galera” do “Boi” contrário silencia completamente durante uma apresentação, isso porque até mesmo a vaia daria pontos preciosos para o “Boi” que estiver se apresentando e ninguém quer dar pontos para o “contrário”.

Na manhã do quarto dia, o vencedor é anunciado. “Galera” e torcedores do “Boi” vencedor dão início a uma parada improvisada que toma as ruas de Parintins. Este é um momento de muita emoção para ambos os lados – ganhadores e perdedores. A polícia militar está sempre alerta para reforçar a ordem de forma eficiente, evitando qualquer briga ou tumulto.

Parintins
Gente simpática, que pinta as fachadas de suas casas na cor do seu “boi” preferido, anda pelas ruas de bicicleta. Motociclistas fazem o papel de taxistas. Bicicletas são adaptadas com um banco e levam os passageiros por toda a cidade.

Os “currais”, como são chamados os lugares de concentração de cada um dos bois, são dois. Um do Caprichoso e outro do Garantido. Cada um localiza-se numa parte da cidade.

O turismo é uma importante fonte de renda para o município. Diferentes opções são oferecidas, como por exemplo, para quem gosta de pescar a época de visitar Parintins é durante a vazante dos rios, de setembro a dezembro. Uma ótima opção é mergulhar nas águas limpas do rio Uaicurapá. Seguir até o lago Macurany para passear de barco, lancha ou jet ski.

O artesanato conta com trabalhos feitos pelos indígenas Sateré-Mawé e Wai-Wai, que utilizam penas e sementes variadas para formar colares, brincos e outros tipos de adornos. Outros trabalhos populares utilizam raízes, palhas, juta.

Às margens do rio Amazonas, foi fundada no século XVIII, quando José Pedro Cordovil, a pedido do governo português, aportou à região dando-lhe o nome de Tupinambarana. Os antigos habitantes eram os índios Maués, Sapupés e Parintintins. Somente em 1880 é que Parintins ganhou status de cidade e recebeu este nome.

O clima é tropical, úmido e chuvoso, com temperaturas entre 22ºC e 30ºC . A vegetação, formada por florestas de várzea e terra firme, produz abacate, banana, cacau, café, caju, mandioca, melancia, melão, abacaxi, batata-doce, coco, milho, feijão. A pecuária conta principalmente com bovinos, produzindo carne e leite não somente para consumo local, mas também para Manaus. O relevo compõe-se de lagos, ilhotas e uma pequena serra com apenas 154m de altura.


Boibumba.com
Texto: Sheila Cirigola

São João

Festas juninas ou festas dos santos populares são celebrações que acontecem em vários países historicamente relacionadas com a festa pagã do solstício de verão, que era celebrada no dia 24 de junho, segundo o calendário juliano (pré-gregoriano) e cristianizada na Idade Média como "festa de São João".

Essas celebrações são particularmente importantes no Norte da Europa - Dinamarca, Estónia, Finlândia, Letônia, Lituânia, Noruega e Suécia -, mas são encontrados também na Irlanda, partes da Grã-Bretanha (especialmente Cornualha), França, Itália, Malta, Portugal, Espanha, Ucrânia, outras partes da Europa, e em outros países como Canadá, Estados Unidos, Porto Rico, Brasil e Austrália.

Origem da fogueira
De origem européia, as fogueiras juninas fazem parte da antiga tradição pagã de celebrar o solstício de verão. Assim como a cristianização da árvore pagã "sempre verde" em árvore de natal, a fogueira do dia de "Midsummer" (24 de junho) tornou-se, pouco a pouco na Idade Média, um atributo da festa de São João Batista, o santo celebrado nesse mesmo dia. Ainda hoje, a fogueira de São João é o traço comum que une todas as festas de São João européias (da Estônia a Portugal, da Finlândia à França). Estas celebrações estão ligadas às fogueiras da Páscoa e às fogueiras de Natal.

Uma lenda católica cristianizando a fogueira pagã estival afirma que o antigo costume de acender fogueiras no começo do verão europeu tinha suas raízes em um acordo feito pelas primas Maria e Isabel. Para avisar Maria sobre o nascimento de São João Batista e assim ter seu auxílio após o parto, Isabel teria de acender uma fogueira sobre um monte.

O uso de balões
O uso de balões e fogos de artifício durante São João no Brasil está relacionado com o tradicional uso da fogueira junina e seus efeitos visuais. Este costume foi trazido pelos portugueses para o Brasil, e ele se mantém em ambos lados do Atlântico, sendo que é na cidade do Porto, Portugal onde mais se evidência.

Fogos de artifício manuseados por pessoas privadas e espetáculos pirotécnicos organizados por associações ou municipalidades tornaram-se uma parte essencial da festa no Nordeste, em outras partes do Brasil e em Portugal. Os fogos de artifício, segundo a tradição popular, servem para despertar São João Batista. Em Portugal, pequenos papeis sao atados no balão com desejos e pedidos escritos neles.

Os balões, no entanto, constituem atualmente uma prática proibida por lei devido ao risco de incêndio. Os balões serviam para avisar que a festa iria começar; eram soltos de cinco a sete balões para se identificar o início da festança.

Durante todo o mês de junho é comum, principalmente entre as crianças, soltar bombas. Algumas delas são:

* Traque
* Chilene
* Cordão
* capeção-de-negro

* Cartucho
* Treme-Terra
* Rojão
* Buscapé
* Cobrinha
* Espadas-de-fogo


O mastro de São João
O mastro de São João, conhecido em Portugal também como o mastro dos Santos Populares, é erguido durante a festa junina para celebrar os três santos ligados a essa festa. No Brasil, no topo de cada mastro são amarradas em geral três bandeirinhas simbolizando os santos. Tendo hoje em dia uma significação cristã bastante enraizada e sendo, entre os costumes de São João, um dos mais marcadamente católico, o levantamento do mastro tem sua origem, no entanto, no costume pagão de levantar o "mastro de maio", ou a árvore de maio, costume ainda hoje vivo em algumas partes da Europa.

Além de sua cristianização profunda em Portugal e no Brasil, é interessante notar que o levantamento do mastro de maio em Portugal é também erguido em junho e a celebrar as festas desse mês (o mesmo fenômeno também ocorrendo na Suécia, onde o mastro de maio, "majstången", de origem primaveril, passou a ser erguido durante as festas estivais de junho, "Midsommarafton").

O fato de suspender milhos e laranjas ao mastro de São João parece ser um vestígio de práticas pagãs similares em torno do mastro de maio. Em Lóriga a tradição do Cambeiro é celebrada em Janeiro. Hoje em dia, um rico simbolismo católico popular está ligado aos procedimentos envolvendo o levantamento do mastro e os seus enfeites.

A Quadrilha
A quadrilha brasileira tem o seu nome de uma dança de salão francesa para quatro pares, a "quadrille", em voga na França entre o início do século XIX e a Primeira Guerra Mundial. A "quadrille" francesa, por sua parte, já era um desenvolvimento da "contredanse", popular nos meios aristocráticos franceses do século XVIII. A "contredanse" se desenvolveu a partir de uma dança inglesa de origem campesina , surgida provavelmente por volta do século XIII, e que se popularizara em toda a Europa na primeira metade do século XVIII.

A "quadrille" veio para o Brasil seguindo o interesse da classe média e das elites portuguesas e brasileiras do século XIX por tudo que fosse a última moda de Paris (dos discursos republicanos de Gambetta e Jules Ferry, passando pelas poesias de Victor Hugo e Théophile Gautier até a criação de uma academia de letras, dos belos cabelos cacheados de Sarah Bernhardt até ao uso do cavanhaque).

Ao longo do século XIX, a quadrilha se popularizou no Brasil e se fundiu com danças brasileiras pré-existentes e teve subsequentes evoluções (entre elas o aumento do número de pares e o abandono de passos e ritmos franceses).

Ainda que inicialmente adotada pela elite urbana brasileira, esta é uma dança que teve o seu maior florescimento no Brasil rural (daí o vestuário campesino), e se tornou uma dança própria dos festejos juninos, principalmente no Nordeste. A partir de então, a quadrilha, nunca deixando de ser um fenômeno popular e rural, também recebeu a influência do movimento nacionalista e da sistematização dos costumes nacionais pelos estudos folclóricos.

O nacionalismo folclórico marcou as ciências sociais no Brasil como na Europa entre os começos do Romantismo e a Segunda Guerra Mundial. A quadrilha, como outras danças brasileiras tais que o pastoril, foi sistematizada e divulgada por associações municipais, igrejas e clubes de bairros, sendo também defendida por professores e praticada por alunos em colégios e escolas, na zona rural ou urbana, como sendo uma expressão da cultura cabocla e da república brasileira. Esse folclorismo acadêmico e ufano explica duma certa maneira o aspecto matuto rígido e artificial da quadrilha.

No entanto, hoje em dia, essa artificialidade rural é vista pelos foliões como uma atitude lúdica, teatral e festiva, mais do que como a expressão de um ideal folclórico, nacionalista ou acadêmico qualquer.

Seja como for, é correto afirmar que a quadrilha deve a sua sobrevivência urbana na segunda metade do século XX e o grande sucesso popular atual aos cuidados meticulosos de associações e clubes juninos da classe média e ao trabalho educativo de conservação e prática feito pelos estabelecimentos do ensino primário e secundário, mais do que à prática campesina real, ainda que vivaz, porém quase sempre desprezada pela cultura citadina.

Desde do século XIX e em contato com diferentes danças do país mais antigas, a quadrilha sofreu influências regionais, daí surgindo muitas variantes:

* "Quadrilha Caipira" (São Paulo)
* "Saruê", corruptela do termo francês "soirée", (Brasil Central)
* "Baile Sifilítico" (Bahia)
* "Mana-Chica" (Rio de Janeiro)
* "Quadrilha" (Sergipe)
* "Quadrilha Matuta"

Hoje em dia, entre os instrumentos musicais que normalmente podem acompanhar a quadrilha encontram-se o acordeão (acordeom), pandeiro, zabumba, violão, triângulo e o cavaquinho. Não existe uma música específica que seja própria a todas as regiões. A música é aquela comum aos bailes de roça, em compasso binário ou de marchinha, que favorece o cadenciamento das marcações.

Em geral, para a prática da dança é importante a presença de um mestre "marcante" ou "marcador", pois é quem determina as figurações diversas que os dançadores devem desenvolver. Termos de origem francesa são ainda utilizados por alguns mestres para cadenciar a dança.

Os participantes da quadrilha, vestidos de matuto ou à caipira, como se diz fora do nordeste(indumentária que se convencionou pelo folclorismo como sendo a das comunidades caboclas), executam diversas evoluções em pares de número variável.

Em geral o par que abre o grupo é um "noivo" e uma "noiva", já que a quadrilha pode encenar um casamento fictício. Esse ritual matrimonial da quadrilha liga-a às festas de São João européias que também celebram aspirações ou uniões matrimoniais. Esse aspecto matrimonial juntamente com a fogueira junina constituem os dois elementos mais presentes nas diferentes festas de São João da Europa.

Outras danças e canções
No nordeste brasileiro, o forró assim como ritmos aparentados tais que o baião,o xote,o reizado,o samba-de-coco e as cantigas são danças e canções típicas das festas juninas.e algumas vezes musicas antigas de autores famosos.


Cotumes populares
As festas juninas brasileiras podem ser divididas em dois tipos distintos: as festas da Região Nordeste e as festas do Brasil caipira, ou seja, nos estados de São Paulo, Paraná (norte), Minas Gerais (sobretudo na parte sul) e Goiás.

No Nordeste brasileiro se comemora, com pequenas ou grandes festas que reúnem toda a comunidade e muitos turistas, com fartura de comida, quadrilhas, casamento matuto e muito forró. É comum os participantes das festas se vestirem de matuto, os homens com camisa quadriculada, calça remendada com panos coloridos, e chapéu de palha, e as mulheres com vestido colorido de xita e chapéu de palha.

No interior de São Paulo ainda se mantêm a tradição da realização de quermesses e danças de quadrilha em torno de fogueiras.

Em Portugal há arraiais com foguetes, assam-se sardinhas e oferecem-se manjericos, as marchas populares desfilam pelas ruas e avenidas, dão-se com martelinhos de plastico e alho porro nas cabeças das pessoas principalmente nas crianças e quando os rapazes se querem meter com as raparigas solteiras.

Brasil
As festas Juninas, são na sua essência multicurais, embora o formato com que hoje as conhecemos tenha tido origem nas festas dos santos populares em Portugal: Santo Antônio, São João e São Pedro principalmente.

A música e os instrumentos usados, cavaquinho, sanfona, triângulo ou ferrinhos, reco-reco, etc, estão na base da música popular e folclórica portuguesa e foram trazidos para o Brasil pelos povoadores e emigrantes dos país irmão. As roupas 'caipiras' ou 'saloias' são uma clara referência ao povo campestre, que povoou principalmente o nordeste do Brasil e muitissimas semelhanças se podem encontrar no modo de vestir 'caipira' tanto no Brasil como em Portugal.

Do mesmo modo, as decorações com que se enfeitam os arraiais tiveram o seu início em Portugal com as novidades que na época dos descobrimentos os portugueses levavam da Asia, enfeites de papel, balões de ar quente e pólvora por exemplo. Embora os balões tenham sido proíbidos em muitos lugares do Brasil, eles são usados na cidade do Porto em Portugal com muita abundância e o céu se enche com milhares deles durante toda a noite.

No Brasil, recebeu o nome de junina (chamada inicialmente de joanina, de São João), porque acontece no mês de junho. Além de Portugal, a tradição veio de outros países europeus cristianizados dos quais se oriundam as comunidades de imigrantes, chegados a partir de meados do século XIX. Ainda antes, porém, a festa já tinha sido trazida para o Brasil pelos portugueses e logo foi incorporada aos costumes das populações indígenas e afro-brasileiras.

A festa de São João brasileira é típica da Região Nordeste. Por ser uma região árida, o Nordeste agradece anualmente a São João, mas também a São Pedro, pelas chuvas caídas nas lavouras. Em razão da época propícia para a colheita do milho, as comidas feitas de milho integram a tradição, como a canjica e a pamonha.

O local onde ocorre a maioria dos festejos juninos é chamado de arraial, um largo espaço ao ar livre cercado ou não e onde barracas são erguidas unicamente para o evento, ou um galpão já existente com dependências já construídas e adaptadas para a festa. Geralmente o arraial é decorado com bandeirinhas de papel colorido, balões e palha de coqueiro ou bambu. Nos arraiás acontecem as quadrilhas, os forrós, leilões, bingos e os casamentos matutos.

Locais
Estes arraiais são muito comuns em Portugal e não são exclusivos do São João, são parte da tradição popular em geral. Nessas festas podemos encontrar imensas semelhanças tanto no Brasil como em Portugal, mas não só. Na África e na Asia, Macau, India, Malásia, na Comunidade Cristang, os portugueses deixaram essa tradição Junina bem marcada.

Atualmente, os festejos ocorridos em cidades pólos do Norte e Nordeste dão impulso à economia local. Citem-se, como exemplo, Caruaru em Pernambuco; Campina Grande na Paraíba; Amargosa na Bahia[1]; na Mossoró no Rio Grande do Norte; Maceió em Alagoas; Recife em Pernambuco; Aracaju em Sergipe; Juazeiro do Norte no Ceará; e Cametá no Pará.

Além disso, também existem nas pequenas cidades, festas mais tradicionais como Cruz das Almas, Ibicuí, Jequié e Euclides da Cunha na Bahia. As duas primeiras cidades disputam o título de Maior São João do Mundo, embora Caruaru esteja consolidada no Guinness Book, categoria festa country (regional) ao ar livre. Além disso, Juazeiro do Norte no Ceará e Mossoró no Rio Grande do Norte disputam o terceiro lugar de maior são joão do mundo.
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